Estudo revela que profissionais iniciantes são os mais afetados pelo avanço da IA

A inteligência artificial (IA) começa a gerar impactos mensuráveis no mercado de trabalho dos Estados Unidos, aponta um levantamento do Goldman Sachs. O estudo destaca que profissionais em início de carreira estão entre os mais afetados por essa transformação.

Segundo a pesquisa, o avanço da IA reduziu o crescimento mensal da folha de pagamento em aproximadamente 16 mil vagas. O relatório também indica um aumento de 0,1 ponto percentual na taxa de desemprego ligado a esse movimento.

Em tempos de transformação constante — seja por automação, digitalização, novas normas regulatórias ou mudanças estratégicas nas empresas — nem todos os colaboradores sentem os efeitos da mesma forma. Estudos e experiências de campo mostram que trabalhadores com menos experiência tendem a carregar o maior peso das mudanças organizacionais, enfrentando desafios que vão além do aprendizado técnico.

Por que os menos experientes sentem mais pressão?

Existem alguns fatores que explicam essa vulnerabilidade:

Falta de vivência organizacional

Colaboradores recém-chegados ou em início de carreira ainda estão assimilando cultura, processos e rotinas. Mudanças rápidas podem gerar insegurança e confusão sobre prioridades.

Menor repertório de resolução de problemas


Profissionais mais experientes têm repertório consolidado para lidar com imprevistos. Já os menos experientes podem sentir sobrecarga e ansiedade diante de situações novas.

Menor rede de apoio interna


Aqueles que ainda não construíram relações fortes dentro da equipe tendem a ter menos suporte informal, aumentando o impacto do estresse.

Pressão por resultados imediatos


Muitas vezes, espera-se que todos entreguem na mesma velocidade e qualidade. Para os mais novos, essa cobrança sem preparação adequada é duplamente desafiadora.

Impactos da sobrecarga sobre trabalhadores menos experientes

O peso das mudanças pode gerar consequências significativas, como: maior risco de burnout e adoecimento mental, dificuldade em assumir responsabilidades complexas, queda no engajamento e na motivação e rotatividade mais elevada, aumentando custos de contratação e treinamento.

Esses impactos não afetam apenas o colaborador; a produtividade e o clima organizacional também sofrem.

A liderança tem papel determinante para equilibrar o impacto das mudanças. Algumas estratégias incluem:

  1. Planejamento gradual das mudanças:
    Introduzir novas tecnologias, processos ou normas de forma progressiva ajuda os colaboradores a se adaptarem.
  2. Treinamento e desenvolvimento contínuo:
    Investir em capacitação não apenas ensina habilidades técnicas, mas também fortalece confiança.
  3. Mentoria e acompanhamento próximo:
    Profissionais mais experientes podem apoiar os novatos, transmitindo conhecimento e segurança.
  4. Comunicação clara e constante:
    Explicar o que muda, por quê e quais são as expectativas reduz a ansiedade e aumenta o engajamento.
  5. Cuidado com sobrecarga:
    Revisar metas e prazos, ajustando-os à experiência e capacidade do colaborador, previne adoecimento e desmotivação.

Mudanças organizacionais inevitavelmente geram desafios, mas o peso não deve recair desproporcionalmente sobre os trabalhadores menos experientes. Líderes conscientes podem criar condições para que todos se adaptem, promovendo aprendizado, engajamento e saúde mental, enquanto mantêm a produtividade.

No final das contas, preparar os menos experientes para mudanças não é apenas cuidado humano, mas estratégia de sustentabilidade para a empresa.

*Artigo escrito por Alessandra Montini, Diretora da FIA Business School – Labdata.

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