O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) tem transformado profundamente a forma como produzimos, consumimos e interpretamos informações. Junto com a inovação vem também os riscos, que nem sempre seguem acompanhados de alertas. Entre as inovações recentes, quero destacar aqui o Grok, modelo de linguagem desenvolvido pela xAI, e a tecnologia de deepfake, capaz de criar conteúdos falsos extremamente realistas. Embora ambos sejam frutos do mesmo progresso tecnológico, seus impactos sociais e éticos são bastante distintos.
O Grok é um sistema de inteligência artificial conversacional projetado para compreender e gerar linguagem natural de forma avançada. Integrado à plataforma X (antigo Twitter), o Grok se diferencia por ter acesso a informações em tempo quase real e por adotar um tom mais direto e contextualizado. Seu objetivo principal é auxiliar usuários na compreensão de temas complexos, responder perguntas e apoiar a criação de conteúdo.
Ferramentas como o Grok representam um salto significativo na democratização do conhecimento, permitindo que mais pessoas tenham acesso rápido a informações, análises e explicações que antes exigiam especialistas ou longas pesquisas.
Já deepfakes, são conteúdos falsificados — vídeos, áudios ou imagens — criados com o uso de redes neurais profundas (deep learning). Essa tecnologia permite, por exemplo, fazer com que uma pessoa pareça dizer ou fazer algo que nunca ocorreu. O realismo atingido pelos deepfakes torna cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro do que é manipulado.
Embora possam ser usados de forma legítima no cinema, na publicidade ou na educação, os deepfakes também apresentam riscos graves, como:
- Disseminação de desinformação;
- Fraudes financeiras;
- Manipulação política;
- Violação de privacidade e reputação.
Entenda a relação entre Grok e Deepfakes
Ferramentas como o Grok não criam deepfakes visuais por si só, mas podem ser usadas para gerar roteiros, textos, discursos e narrativas que alimentam sistemas de deepfake. Isso levanta preocupações sobre o uso combinado dessas tecnologias para escalar campanhas de desinformação de forma rápida e sofisticada.
Ao mesmo tempo, a própria inteligência artificial pode ser parte da solução. Modelos como o Grok podem ajudar a identificar padrões de desinformação, analisar conteúdos suspeitos e educar usuários sobre como reconhecer deepfakes
O principal desafio não está apenas na tecnologia, mas em como ela é utilizada. A ausência de regulamentações claras, aliada à velocidade do desenvolvimento da IA, cria um cenário em que abusos podem ocorrer antes que a sociedade esteja preparada para reagir.
É fundamental investir em:
- Educação digital
- Transparência no uso de IA
- Marcos legais e regulatórios
- Responsabilização de quem cria e divulga conteúdos falsos
O Grok simboliza o potencial positivo da inteligência artificial para ampliar o acesso à informação e estimular o pensamento crítico. Já os deepfakes evidenciam os riscos do uso irresponsável da mesma tecnologia. O futuro da IA dependerá do equilíbrio entre inovação, ética e responsabilidade social. Cabe à sociedade, aos governos e às empresas garantir que essas ferramentas sejam usadas para informar — e não para enganar.
*Alessandra Montini é Diretora da FIA Business School – Labdata